14 novembro 2011

Casa comigo, Martha Medeiros?

No meu caso: eu leio Martha (Medeiros), mas o fato é que Martha me "lê".

Pois é, eu precisava declarar minha admiração por ela e por tudo que produz.
Sempre afirmei que gente como os meus amigos não existe, ou melhor, que relações como a nossa seria impossível de encontrar, ou que ninguém enxerga o mundo como enxergamos e eis que surge Martha Medeiros para colocar essa "teoria" por água abaixo.
Por quê? Porque, para mim, seria impossível alguém ter tamanha percepção de vida e de mundo sem ter outras pessoas ao seu lado para contribuir nessa construção. Por me identificar com tudo o que ela escreve e por ela me "ler" que concluo isso, pois sou formada pelos que me cercam, duvido que ela seja muito diferente disso.
E ela não "lê" apenas a mim, ela "lê" meus amigos e várias outras pessoas, pois a cada busca que eu faço na web são vários blogs que encontro citando Martha Medeiros, várias pessoas que se identificam com suas palavras, com seu modo de interpretar o mundo e que não poderiam ser mais completos a cada crônica.
Apesar de ser contagiante achar que "somos os únicos"
, saber que tem muita gente por aí que deve se parecer com a gente é esperançoso! Pouco humilde, eu, né?! Que nada, sou realista. Somos demais mesmo! Relações como a nossa são raras, pode apostar.

Essa mulher é sensacional!
É, acho que o pedido é para você mesmo: Casa comigo? hahahahaha...
Brincadeiras à parte, vai...


Martha Medeiros, obrigada por me definir tãããão perfeitamente bem e por conseguir descrever coisas que antes só a troca de olhares e as nossas mentes poderiam alcançar.



“Erótico é ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. (...) Despir a alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor.”

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

Pessoas não se apaixonam por estereótipos, mas pela singularidade de cada um, pela capacidade de ser surpreendido, pela sedução que o inusitado provoca. Uma pessoa que se preocupa em “parecer” já está derrotada no primeiro minuto de jogo. Dá valor demais à opinião dos outros, não age conforme a própria vontade, não se assume do jeito que é, inventa personagens para si mesmo e acaba se perdendo justamente deste “si mesmo”, que fica órfão. Quer parecer mais inteligente? Comece admitindo que não sabe nada sobre nada e toque aqui: ninguém sabe.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutar para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

Adultos sabem que nunca terão certeza absoluta de nada, e sabem também que só a morte física é definitiva. Já “morreram” diante de fracassos e frustrações, e voltaram pra vida. Ao entender que é normal morrer várias vezes numa única existência, perdemos o medo – e finalmente crescemos.