16 dezembro 2011

Bom dia!

Hoje a manhã começou tão agradável... acordei atrasada, mas propositalmente, fui trabalhar com o sol batendo no rosto, ouvindo na rádio MPB FM (a melhor de todas): Lulu Santos, Alceu Valença, Elis Regina, Maria Gadú, enfim... e, ao mesmo tempo, lendo a melhor de todas, a top, a tudo de bom: Martha Medeiros. Vim para o Rio de Janeiro rindo, por conta das crônicas e com os comentários da locutora que mais gosto dessa rádio: Adriana Souza.
Bem, para fechar a manhã melhor ainda, recebi uma ligação e não precisei ir trabalhar, sendo assim, saltei na Lapa e cá estou, na casa da minha amigazinha e doutora favorita: Marcia.
Adoro essas coisas, não planejar o dia e ele correr de uma maneira que você diz: melhor, impossível.
Acho que fui feliz na noite de ontem, não sei bem o porquê, mas senti que foi como se algo tivesse sido cumprido.






Enfim... vou fechar com uma crônica que merece ser compartilhada:

Quando Deus aparece (Martha Medeiros)

Tenho amigas de fé. Muitas. Uma delas, que é como uma irmã, me escreveu um e-mail me contando a maravilha que foi o recital do pianista Nelson Freire no Theatro São Pedro, recentemente. Ela escreveu: Nessas horas Deus aparece.
Fiquei com essa frase retumbando na minha cabeça. Deus não está em promoção, se exibindo por aí. Ele escolhe, dentro do mais rigoroso critério, os momentos de aparecer pra gente. Não sendo visível aos olhos, ele dá preferência à sensibilidade como via de acesso a nós. Eu não sou uma católica praticante e ritualística - não vou à missa. Mas valorizo essas aparições como se fosse a chegada de uma visita ilustre, que me dá sossego à alma.
Quando Deus aparece pra você?
Pra mim, ele aparece sempre através da música, e nem precisa ser um Nelson Freire. Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que preciso estar reconciliada comigo mesma. De forma inesperada, a música me transcende.
Deus me aparece nos livros, em parágrafos em que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: foram escritos por um ser mais que humano.
Deus me aparece - muito! - quando estou em frente ao mar. Tivemos um papo longo, cerca de um mês atrás, quando havia somente as ondas entre mim e ele. A gente se entende em meio ao azul, que seria a cor de Deus, se ele tivesse uma.
Deus me aparece - e não considere isso uma heresia - na hora do sexo, desde que feito com quem se ama. É completamente diferente do sexo casual, do sexo como válvula de escape. Diferente, preste atenção. Não quer dizer que qualquer sexo não seja bom.
Nesse exato instante em que escrevo, estou escutando My Sweet Lord cantado não pelo George Harrison (que Deus o tenha), mas por Billy Preston (que Deus o tenha também) e posso assegurar: a letra é um animado bate-papo com Ele, ritmado pelo rock'n'roll. Aleluia.
Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer. Quando uma amiga me liga de um país distante e demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima. Deus aparece no sorriso do meu sobrinho e no abraço espontâneo das minhas filhas. E nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.
E quando eu o chamo de cara e ele não se aborrece, aí tenho certeza de que ele está mesmo comigo.